A Professora Nádia, de Espanhol, deu-nos a conhecer a origem do “Dia dos Muertos”
- Clube de Comunicação Social
- 29 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de out. de 2025
O Dia dos Mortos é uma tradição de origem mexicana, que se reporta à cultura indígena. Para os povos indígenas celebrar a Memória e a Vida é um dia festivo, ao contrário do que acontece na nossa cultura. Não é um dia marcado pela tristeza nem pelo luto, mas sim pela celebração da vida, sobretudo nos dias 1 e 2 de Novembro.
O típico é as famílias construírem o chamado "altar de muertos", que também se pode construir em lugares públicos. Este altar normalmente tem 7 níveis, porque se acredita que para chegar ao céu precisamos de subir 7 degraus. Estes altares têm oferendas como alimentos, de que os entes queridos gostavam muito, ou frutas, por exemplo, também podem ter bebidas, como a água.
Pensa-se que, neste dia, os mortos fazem a travessia desde o céu, onde se encontram, até à Terra e, portanto, chegam famintos e sedentos, precisando de se alimentar e de se hidratar.
As velas são guias, porque iluminam o caminho e assim iluminarão estas almas no trajeto que elas fazem. Temos também uma flor muito icónica, que tem uma cor muito intensa, o cor de laranja, como acontece no filme Coco. Existe a convicção de que esta flor, pela sua cor muito chamativa e pelo seu aroma intenso, ajuda as almas a chegarem aos seus lares.
Também existem objetos representativos dos entes queridos já falecidos. Podem ser chapéus, sapatos, ou outros acessórios de que eles gostavam muito e que, em sua honra, estão neste altar.
Temos ainda o sal, que é símbolo da purificação, porque como há o contacto da alma com a vida terrestre acredita-se que a alma para conseguir voltar a ter paz deve purificar-se através dele.
O incenso é também uma das formas de purificação, não da alma, mas dos espaços, para afastar espíritos negativos.
Depois, temos o pão, que simboliza o ciclo da vida. É um pão doce, ao contrário do nosso aqui no Alentejo, pois é polvilhado com açúcar.
Temos mais elementos como o papel picado ou uma toalha. Normalmente, as cores favoritas são o laranja e o lilás. O papel picado, muitas vezes, tem cenas representativas da vida e da cultura do México como guitarras, o Sol, que nos reporta também para uma das mais antigas civilizações da América, a civilização inca, que o adorava.
E depois temos outro elemento fundamental que são as fotos. Se as fotos não estiverem no altar significa que os familiares vivos já não têm memória daqueles que existiram, pois já se esqueceram deles. A presença das fotos é uma forma de privilegiar a Memória sobre o esquecimento, uma vez que essas pessoas são lembradas e continuam a ser muito amadas pela família. Às vezes, quando há problemas familiares, as fotos dessas pessoas não constam nos altares por questões menos positivas que aconteceram no passado.
Como é típico da cultura mexicana há uma grande tónica sobre a família, que representa o amor, a união entre pessoas que se querem, se cuidam e se protegem. Todos estes elementos representativos nos altares são fundamentais.
Esta tradição é tão importante que foi considerada em 2003, património imaterial da humanidade, pois celebra a vida e não a morte, uma vez que se acredita que continuaremos sempre a existir, nem que seja na Memória daqueles que nos querem e que nos amam.






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